Porto Alegre, 04 de setembro de 2009

EDITORIAL

"Los" democratas
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Jayme Copstein



Álvaro Uribe, presidente da Colômbia
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Oscar Wilde, autor de frases antológicas, referindo-se à hipocrisia da sociedade inglesa do século 19, escreveu em "Lady Windermere" que a virtude das mulheres dependia de uma boa costureira e que se pode resistir a tudo, menos às tentações. Parece sob medida para a política latino-americana, onde todos se vestem de democratas, logo após enxotarem os ditadores de plantão, mas, logo adiante, não conseguem resistir a tentação de se perpetuar no poder.

Desde o fim dos regimes militares, no final dos anos 1980, entusiasmava e comovia o ardor com que se retomava o processo democrático no continente. Nenhuma das novas constituições, justamente para garantir a alternância no poder e afastar o fantasma do totalitarismo, permitia reeleições. Éramos todos democratas da cabeça aos pés, enrolados em nossas bandeiras, cantando hinos pátrios e bradando palavras de ordem. E, naturalmente, indenizados generosamente por nossas frustrações libertárias.

Nem 20 anos se passaram e já temos, na Argentina, 10 anos de Carlos Menem (1989-1999) e Casal Kirchner (1999 em diante); no Peru, de Alberto Fujimori (1990-2000); na Venezuela, de Hugo Chávez (1999 em diante); no Brasil, oito anos de Ferrnando Henrique Cardoso (1995-2002) e quase outro tanto de Luiz Inácio da Silva (2003 em diante).

Pois agora, quase um nada depois de terem deposto o presidente de Honduras, por desrespeito à Constituição e desacato à Suprema Corte, festejam a vitória de Álvaro Uribe, na Colômbia, obtendo de seu congresso, também contra dispositivos constitucionais, mais um mandato de quatro anos, ele que já está há oito no poder. Se comprou votos, como dizem os adversários, ou apenas garantiu a "governabilidade", como dizem os integrantes da "base aliada" de lá, pouco ou quase nada importa. O essencial é que Uribe, caso vença o referendo – 70% de probabilidades, correspondentes aos seus índices de popularidade – iguala-se a Hugo Cháves, ainda que faça praça de convicções políticas opostas.

Em resumo, a América Latina continua a mesma. Pouco importa que se lhe façam os mais belos vestidos jamais trajados na história de qualquer democracia. O problema são as tentações. Resistir quem há de? Dá até hino para a próxima "desdemocratização".

Irrevogáveis revogações

Se o senador Aloizio Mercante, conhecido por irrevogável firmeza na revogação do irrevogável, disse que a urgência pedida por Lula para os projetos do pré-sal não tem objetivos eleitoreiros, podem todos ter certeza que... tem. De certa forma, sua coleguinha e correligionária, senadora Ideli Salvatti, já começou a preparar a irrevogabilidade da revogação, admitindo que o Congresso não conseguirá votar os projetos do pré-sal antes da metade de 2010.


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DOS QUATRO CANTOS DO MUNDO

Dia do petróleo, a descoberta que mudou o mundo
04/09/09 ImprimirImprimir   TopoTopo


Nahum Sirotsky, de Tel Aviv


Há 150 anos, em Titusville, Pensilvânia, Estados Unidos, naqueles tempos sustentada por atividades madeireiras, Edwin Drake resolveu meter um cano na terra para tentar encontrar algum produto que substituísse o escasso óleo de baleia como combustível para lampiões. Nunca se explicou a inspiração que teve além do desespero da falta de iluminação. E a uma profundidade de cerca de 30 metros atingiu um líquido escuro, batizado de petróleo, e mudou o mundo para sempre.

O Chron.com website do Houston Chronicle, website de diário de Houston, Texas, não esqueceu a data. E não esqueço a lição fundamental para qualquer jornalista que se preze de que nada se cria, nada se perde, tudo se copia (antigamentamente, todo o repórter sabia o que era "suite", tradução: continuação). Achei oportuno lembrá-lo.

O primeiro poço produzia 25 barris por dia. Hoje o petróleo é fonte de 30% da energia que move o mundo. O produto mais estratégico. Mas Drake morreu 20 anos depois na mais completa miséria.

Como sempre é recordado, o petróleo fez a riqueza de países de lideranças e sistemas democráticos e a desgraça de autocracias. Basta comparar Estados Unidos e Arábia Saudita. Quem não for preguiçoso tem todos os dados clicando no google. Pouco depois de descoberto o petróleo as democracias aliadas ganhavam a Primeira Guerra Mundial devido seus recursos petrolíferos.

O chamado ouro negro motivou incontáveis guerras e jogadas diplomáticas. Nunca faltaram corruptos ou corruptores. Confusões. Terminada a Primeira Guerra a Grã-Bretanha forçaria a Turquia, formada por sobras do gigantesco Império Turco-Otomano aliado da derrotada Alemanha, a ceder-lhe de Mosul, até hoje rica em óleo, que viria a ser um dos três territórios que compõem o Iraque, no lugar da Babilônia. A divisão do Oriente Médio sobre o qual dominavam os otomanos refletiu interesses britânicos em petróleo e no caminho para seu amplo império. O Japão iniciou sua expansão que resultaria na guerra do Pacífico com os americanos. Adolf Hitler, conquistador da Europa invadiu a Rússia para garantir petróleo.

Do petróleo nasceu a petroquímica, o combustível, o lubrificante, remédios e o plástico. É a fonte de grande parte do que chamamos de desenvolvimento. A fonte da mobilidade de nossa civilização: carros, navios, aviões. Dois terços são usados em meios de transporte. O consumo americano é em transportes. Só 2% é utilizado em produção de energia.

A pressão do consumo levou o preço do barril a US$ 150, que caiu com a recessão. A volta do crescimento econômico poderá produzir preços ainda mais elevados pela exploração do receio de que possa faltar. Outro fator inegável é o de que a baixa dos preços reduziu a atualização dos meios de produção. Consequência inevitável será a de aumentos de preços na retomada do crescimento que será inevitavelmente prejudicado.

A Agência Internacional de Energia inspecionou 800 campos de produção concluindo que a produção da maioria está em rápido declínio. Para que a demanda futura previsível possa ser atendida, o equivalente a quatro Arábias Sauditas precisará produzir até 2030, o que parece inviável. O pré-sal do Brasil ainda é uma grande probabilidade. O ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali al Naimi, previu “uma catastrófica escassez”. Apesar de previsões de ser essencial e urgente reduzir o consumo, o contrário acontece. Considerando-se apenas veículos automotores calcula-se que 50 milhões de carros a gasolina entram em mercado a cada ano. E a vida útil de cada um deles é de 15 anos.

Reduzir o consumo não se revela uma solução. A Organização de Países Produtores de Petróleo (OPEP) vem reduzindo sua oferta em função da procura. A oferta já é hoje bem menor do que no passado. Sendo um poderoso cartel, a OPEP pode comandar o mercado. Os especialistas dizem que o único meio de enfraquecer a OPEP é a produção de mais veículos com o uso de outros combustíveis. E já existem. Já foi dito que a tecnologia é a única arma de defesa dos consumidores. Da tecnologia depende inclusive a exploração do potencial de reservas submarinas além de combustíveis advindo de pesquisa.

É possível, mas urge tempo o que se expressará em preços. Gal Luft, editor do Journal of Energy Security, diretor do Institute for the Analysis of Energy Security e co-autor do livro Energy Security Challenges for the 21st Century foi a origem da maior parte das informações que repasso. Quem precisa e quer saber não terá dificuldades em fazer contato. Vale a pena.


Nahum Sirotsky é correspondente de Zero Hora no Oriente Médio e colunista do portal “Último Segundo”.


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“No seu discurso, Lula falou que a "dádiva de Deus" do pré-sal pode virar uma "maldição", se não se souber administrar os seus proventos. Estatizar a economia num país em que a privatização do Estado avança a galope - basta ser namorado da neta do presidente do Senado para obter um emprego público - é tornar o risco da "dádiva de Deus" virar maldição uma alta probabilidade".”

Editorial do O Estado de São Paulo
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Caderno Dois

Matinas
03/05/10  TopoTopo

Neide Archanjo


Alegra-me este setembro
com rosto de agosto:
céu plúmbeo ventos arados
algumas chuvas crescendo
figos úmidos e brandos e afáveis
mais estes insetos em bonança
gordos gatos.

Deus sorri
e deslocam-se ângulos
presenças
estados de espírito.
Renascem lembranças.

No corpo
o pássaro da pele
emplumado canta.




Mural

Infraestrutura sanitária, a marca do atraso
03/09/10  TopoTopo

Josef Barat (*)


Ampla matéria do Estado (Brasil tem 34,8 milhões de pessoas que vivem sem coleta de esgoto, 21/8, A25) abordou o retrato desolador da infraestrutura sanitária no Brasil, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE. Fica claro que a tão decantada 8.ª economia do mundo não consegue oferecer a grande parte de seus cidadãos a cobertura necessária de serviços de esgotamento sanitário, tratamento e disposição (continua...)