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Caymmi, um pedaço do Brasil
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Pesquisa |
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Oscar Wilde, autor de frases antológicas, referindo-se à hipocrisia da sociedade inglesa do século 19, escreveu em "Lady Windermere" que a virtude das mulheres dependia de uma boa costureira e que se pode resistir a tudo, menos às tentações. Parece sob medida para a política latino-americana, onde todos se vestem de democratas, logo após enxotarem os ditadores de plantão, mas, logo adiante, não conseguem resistir a tentação de se perpetuar no poder.
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| 04/09/09 | |
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Há 150 anos, em Titusville, Pensilvânia, Estados Unidos, naqueles tempos sustentada por atividades madeireiras, Edwin Drake resolveu meter um cano na terra para tentar encontrar algum produto que substituísse o escasso óleo de baleia como combustível para lampiões. Nunca se explicou a inspiração que teve além do desespero da falta de iluminação. E a uma profundidade de cerca de 30 metros atingiu um líquido escuro, batizado de petróleo, e mudou o mundo para sempre.
O Chron.com website do Houston Chronicle, website de diário de Houston, Texas, não esqueceu a data. E não esqueço a lição fundamental para qualquer jornalista que se preze de que nada se cria, nada se perde, tudo se copia (antigamentamente, todo o repórter sabia o que era "suite", tradução: continuação). Achei oportuno lembrá-lo.
O primeiro poço produzia 25 barris por dia. Hoje o petróleo é fonte de 30% da energia que move o mundo. O produto mais estratégico. Mas Drake morreu 20 anos depois na mais completa miséria.
Como sempre é recordado, o petróleo fez a riqueza de países de lideranças e sistemas democráticos e a desgraça de autocracias. Basta comparar Estados Unidos e Arábia Saudita. Quem não for preguiçoso tem todos os dados clicando no google. Pouco depois de descoberto o petróleo as democracias aliadas ganhavam a Primeira Guerra Mundial devido seus recursos petrolíferos.
O chamado ouro negro motivou incontáveis guerras e jogadas diplomáticas. Nunca faltaram corruptos ou corruptores. Confusões. Terminada a Primeira Guerra a Grã-Bretanha forçaria a Turquia, formada por sobras do gigantesco Império Turco-Otomano aliado da derrotada Alemanha, a ceder-lhe de Mosul, até hoje rica em óleo, que viria a ser um dos três territórios que compõem o Iraque, no lugar da Babilônia. A divisão do Oriente Médio sobre o qual dominavam os otomanos refletiu interesses britânicos em petróleo e no caminho para seu amplo império. O Japão iniciou sua expansão que resultaria na guerra do Pacífico com os americanos. Adolf Hitler, conquistador da Europa invadiu a Rússia para garantir petróleo.
Do petróleo nasceu a petroquímica, o combustível, o lubrificante, remédios e o plástico. É a fonte de grande parte do que chamamos de desenvolvimento. A fonte da mobilidade de nossa civilização: carros, navios, aviões. Dois terços são usados em meios de transporte. O consumo americano é em transportes. Só 2% é utilizado em produção de energia.
A pressão do consumo levou o preço do barril a US$ 150, que caiu com a recessão. A volta do crescimento econômico poderá produzir preços ainda mais elevados pela exploração do receio de que possa faltar. Outro fator inegável é o de que a baixa dos preços reduziu a atualização dos meios de produção. Consequência inevitável será a de aumentos de preços na retomada do crescimento que será inevitavelmente prejudicado.
A Agência Internacional de Energia inspecionou 800 campos de produção concluindo que a produção da maioria está em rápido declínio. Para que a demanda futura previsível possa ser atendida, o equivalente a quatro Arábias Sauditas precisará produzir até 2030, o que parece inviável. O pré-sal do Brasil ainda é uma grande probabilidade. O ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali al Naimi, previu “uma catastrófica escassez”. Apesar de previsões de ser essencial e urgente reduzir o consumo, o contrário acontece. Considerando-se apenas veículos automotores calcula-se que 50 milhões de carros a gasolina entram em mercado a cada ano. E a vida útil de cada um deles é de 15 anos.
Reduzir o consumo não se revela uma solução. A Organização de Países Produtores de Petróleo (OPEP) vem reduzindo sua oferta em função da procura. A oferta já é hoje bem menor do que no passado. Sendo um poderoso cartel, a OPEP pode comandar o mercado. Os especialistas dizem que o único meio de enfraquecer a OPEP é a produção de mais veículos com o uso de outros combustíveis. E já existem. Já foi dito que a tecnologia é a única arma de defesa dos consumidores. Da tecnologia depende inclusive a exploração do potencial de reservas submarinas além de combustíveis advindo de pesquisa.
É possível, mas urge tempo o que se expressará em preços. Gal Luft, editor do Journal of Energy Security, diretor do Institute for the Analysis of Energy Security e co-autor do livro Energy Security Challenges for the 21st Century foi a origem da maior parte das informações que repasso. Quem precisa e quer saber não terá dificuldades em fazer contato. Vale a pena.
Nahum Sirotsky é correspondente de Zero Hora no Oriente Médio e colunista do portal “Último Segundo”.
Carlos Brickmann
Marisa Martins Hädrich
Marli Gonçalves| 03/05/10 | |
Neide Archanjo
Alegra-me este setembro
com rosto de agosto:
céu plúmbeo ventos arados
algumas chuvas crescendo
figos úmidos e brandos e afáveis
mais estes insetos em bonança
gordos gatos.
Deus sorri
e deslocam-se ângulos
presenças
estados de espírito.
Renascem lembranças.
No corpo
o pássaro da pele
emplumado canta.
| 03/09/10 | |
Josef Barat (*)
Ampla matéria do Estado (Brasil tem 34,8 milhões de pessoas que vivem sem coleta de esgoto, 21/8, A25) abordou o retrato desolador da infraestrutura sanitária no Brasil, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE. Fica claro que a tão decantada 8.ª economia do mundo não consegue oferecer a grande parte de seus cidadãos a cobertura necessária de serviços de esgotamento sanitário, tratamento e disposição (continua...)