Porto Alegre, 31 de agosto de 2009

EDITORIAL

Jim Jones e o Brasil
31/08/09 ImprimirImprimir   TopoTopo


Jayme Copstein



José Sarney
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Chamam atenção pessoas com inteligência acima da média se deixando levar pela "onda" de fechar o Senado, para combater a corrupção de dúzia e meia de cafajestes que elas próprias elegeram. A ideia nasce da súbita inspiração de alguém, como se fosse recado dos céus, e contamina parte da opinião pública, tornando o combate ao pecado mais virtuoso que a própria virtude que se deseja restabelecer.

O mais interessante é a perplexidade desses mesmos apóstolos da moral pública quando um Jim Jones da vida induz mais de 900 pessoas ao suicídio, como aconteceu em 1978, porque os deuses lhe disseram que era necessário fechar o mundo para restabelecer o Reino dos Céus.

Como alguém pode ser tão desatinado e ainda encontrar seguidores – é a pergunta. É o mesmo delírio por trás de soluções simplistas, como a de acabar com as instituições da democracia para combater a corrupção de poucos. Descamba-se sempre para a ditadura, o suicídio político das massas.

A propósito

O demônio agora chama-se Zé Sarney? Antes, foi Antônio Carlos Magalhães, Jader Barbalho, Renan Calheiros. Os Jim Jones da política brasileira realmente creem que mão mais existiriam os Sarneys se de cada vez tivessem fechado o Senado?

Sarney Primeiro e Único

Já é a terceira vez que Sarney preside o Senado, ao qual voltou, após deixar a presidência da República, mediante fraude de domicílio eleitoral, com aval do Judiciário. Mesmo após ter jogado literalmente no lixo as esperanças da Nação com o estelionato do Plano Cruzado, Sarney continuou manipulando os cordéis porque Fernando Henrique aceitou seu apoio duas vezes e Lula outras duas, querendo ainda uma terceira, através de Dilma, para poder voltar em 2014.

Tudo aconteceu, as reeleições de Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva com votações acachapantes, sob o silêncio, ora de uns, ora de outros, conforme as conveniências políticas. Quando a Polícia Federal levantou a ponta do tapete onde se amocambam as falcatruas da Família Sarney, expondo os dinheiros "não contabilizados" de Roseana e seu marido Jorge Murad, os petistas estavam com os braços abertos para receber uma "biografia de respeito", palavras de Lula. À qual se acrescentava, palavras de Zé Sarney, a dor de um pai de coração dilacerado pelas ofensas à sua inocente pimpolha, cujos planos de fazê-la presidente da República se frustravam.

Agora, porém, quando petistas mais sensíveis, que na ocasião festejaram a habilidade de Lula para costuras políticas, adivinham que Sarney pode tirar em vez de trazer votos, ele volta ao seu verdadeiro currículo. De onde o tiraram aqueles que, exaurida a sua utilidade, para lá o querem devolver.


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Índice

DOS QUATRO CANTOS DO MUNDO

Lei é para todos
31/08/09 ImprimirImprimir   TopoTopo


Nahum Sirotsky, de Tel Aviv


Ehud Olmert, ex-primeiro ministro de Israel, foi indiciado e poderá ser processado por crimes diversos que incluem desrespeitar a confiança a ele atribuida no serviço público, favorecimento de amigos, não pagamento de impostos. Punido ou inocentado é o primeiro ex-chefe de governo na história do país a sofrer processo.

A sua ex-secretária também foi indiciada por cooperar com ele "em extrair benefícios monetários" e pelo crime de vigiá-lo durante anos. Não se revelam os motivos da traição.

Olmert foi um primeiro ministro de grandes realizações em todos os campos. E chegou a posição depois de eleito e reeleito prefeito de Jerusalém e assumir ministério no govermo de Ariel Sharon, então todo poderoso líder do partido Likud, da direita. Sharon pouco depois formaria um partido centrista provavelmente com a intenção de viabilizar negociações com os palestinos.

A verdade jamais será conhecida. Pouco depois, ele sofreu um problema neurológico, Olmert assumiu a interinidade. Sharon nunca se recuperou e vive em estado vegetativo num hospital. Olmert elegeu-se por conta própria.

Mas já chefe do governo, investigado pela polícia pelas denúncias de irregulartidades na prefeitura e um ministério, renunciou e voltou à vida privada. O seu assessor chamou a mídia para declarar que ele provará sua inocência uma vez processado.

Israel tem suas originalidades. Uma delas é a de que a polícia pode investigar a quem suspeite de desvios das normas aceitáveis. O presidente é eleito pelo Parlamento de 120 membros. É cidadão-símbolo com grande poder moral e mínimo político. O presidente anterior ao atual foi submetido a dolorosas investigações por ser acusado de assédio sexual e se aproveitar do cargo para forçar relações a uma secretária.

Perdeu a função. Há poucos meses um ex-presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores e ministro da Fazenda foi investigado sob a suspeita de desvio de recursos da CGT. A acusação foi comprovada e ele foi condenado a seis anos de prisão celular.

Um ministro do Interior foi acusado e investigado pela polícia pela suspeita de uso de recursos para fins não previstos no Orçamento. Foi condenado a quatro anos.

Israel não tem tribunais de juri. Juízes aprovados por comissões especiais presidem em todas as instâncias. A Suprema Corte conta com 11 magistrados que apenas são chamados para se manifestarem sobre um mesmo caso quando se trata de questões que afetam a vida social e podem produzir leis. O Supremo é a grande e inapelável garantia do respeito à Lei.

O país não tem uma Constituição. Não é país de anjos em nível algum. Há de tudo. A lei de família é entregue a tribunais religiosos. Existem seitas que não aceitam as leis do Estado. Regem-se por leis canonicas. Mas a lei é mesmo igual para todos. E seja quem for que a desrespeite é investigado e, caso culpado, punido.


Nahum Sirotsky é correspondente de Zero Hora no Oriente Médio e colunista do portal “Último Segundo”.


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Foto José Sarney

Caderno Dois

Matinas
03/05/10  TopoTopo

Neide Archanjo


Alegra-me este setembro
com rosto de agosto:
céu plúmbeo ventos arados
algumas chuvas crescendo
figos úmidos e brandos e afáveis
mais estes insetos em bonança
gordos gatos.

Deus sorri
e deslocam-se ângulos
presenças
estados de espírito.
Renascem lembranças.

No corpo
o pássaro da pele
emplumado canta.




Mural

Infraestrutura sanitária, a marca do atraso
03/09/10  TopoTopo

Josef Barat (*)


Ampla matéria do Estado (Brasil tem 34,8 milhões de pessoas que vivem sem coleta de esgoto, 21/8, A25) abordou o retrato desolador da infraestrutura sanitária no Brasil, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE. Fica claro que a tão decantada 8.ª economia do mundo não consegue oferecer a grande parte de seus cidadãos a cobertura necessária de serviços de esgotamento sanitário, tratamento e disposição (continua...)