Porto Alegre, 17 de agosto de 2009

EDITORIAL

O orgulho de Collor
17/08/09 ImprimirImprimir   TopoTopo


Jayme Copstein



Fernando Collor de Mello
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Ninguém rouba de Fernando Collor de Mello o título de primeiro – até agora, o único – presidente da República cassado por indignidade na História do Brasil. Ele gabou-se, às vésperas de ser afugentado do Palácio do Planalto, que ao nascer o pai, Arnon de Mello, lhe traçou a vocação para a violência, referindo-se a suposta cor roxa de certa parte da sua anatomia.

Arnon de Mello era homem violento, no que não se diferenciava dos rivais da família Góes Monteiro, com a qual disputava a hegemonia política das Alagoas. Quando se fala no tiroteio entre Arnon de Mello e Silvestre Péricles, em pleno Senado, mal e mal se menciona o nome da vítima, o suplente de senador pelo Acre, José Kairala, morto com um balaço no peito desfechado pelo revólver de Arnon.

Kairala tinha assumido o mandato por alguns dias e aquela era a última sessão de que participava como suplente. Comerciante de profissão, era pessoa simples. Fizera vir a mulher e as filhas, e com elas tirara uma foto no Plenário, antes de começar a sessão, para lembrança daqueles dias gloriosos para a família. Seu assassinato comoveu a opinião pública na época, tanto quanto o das vítimas das balas perdidas de hoje.

É disso que Fernando Collor de Mello tem orgulho, quando fala nas cores de sua anatomia. Ou quando posa com aquele olhar de vampiro que trocou o sangue pelo rapé.

Semente da depravação

Se perguntarem o que aconteceu aos dois senadores das Alagoas, Arnon de Mello e Silvestre Péricles de Góes Monteiro, a resposta é: nada. Imunidade parlamentar, ou seja a liberdade de veemência para abordar qualquer assunto no exercício do mandato, foi transformada em impunidade para qualquer crime. Foi esta a origem da depravação que assola o Congresso brasileiro e o transforma em refúgio para toda a espécie de bandoleiros, que compram mandatos corrompendo eleitores.

O bigode do Zé

Segundo o portal Contas Abertas, o Senado empenhou 24.700 reais para comprar oito cadeiras de barbeiro. Só por isso já se vê o tamanho do "bigode" de Zé Sarney...


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“O meu receio é que se formos aplicar o Direito Penal nestes casos, um terço dos brasileiros vai parar na cadeia.”

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Caderno Dois

Matinas
03/05/10  TopoTopo

Neide Archanjo


Alegra-me este setembro
com rosto de agosto:
céu plúmbeo ventos arados
algumas chuvas crescendo
figos úmidos e brandos e afáveis
mais estes insetos em bonança
gordos gatos.

Deus sorri
e deslocam-se ângulos
presenças
estados de espírito.
Renascem lembranças.

No corpo
o pássaro da pele
emplumado canta.




Mural

Infraestrutura sanitária, a marca do atraso
03/09/10  TopoTopo

Josef Barat (*)


Ampla matéria do Estado (Brasil tem 34,8 milhões de pessoas que vivem sem coleta de esgoto, 21/8, A25) abordou o retrato desolador da infraestrutura sanitária no Brasil, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE. Fica claro que a tão decantada 8.ª economia do mundo não consegue oferecer a grande parte de seus cidadãos a cobertura necessária de serviços de esgotamento sanitário, tratamento e disposição (continua...)