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Porto Alegre, 08 de fevereiro de 2010

EDITORIAL

Lula, o filho do Brasil
08/02/10 ImprimirImprimir   TopoTopo


Jayme Copstein




Os jornais de domingo trouxeram o debate do qual o país não deveria ter se afastado, desde que escolheu o caminho da democracia para conduzir sua vida política, Mas como ser diferente em um país cujos políticos não fizeram outra coisa, desde as origens, a não ser lutar pelo poder, e nele se revezarem como se fossem clones, repetindo slogans e desatinos, e só avançando no tempo porque arrastados pelos ventos soprados da Europa e dos Estados Unidos?

Pois está aí, nesta luta pelo poder que tira o discernimento das pessoas e faz nossas eleições não terem fim, o que dá razão a Luiz Carlos Barreto na Folha de São Paulo de domingo (“A volta das patrulhas ideológicas”) quando se queixa de que a discussão sobre “Lula, o filho do Brasil” centrou-se, salvo algumas exceções, no potencial político-eleitoral em vez de se focar nos méritos e deméritos do filme. Teve gente que viu, gostou ou não gostou, mas teve outras tantas que não viram e assim mesmo gostaram e não gostaram.

Ainda não assisti “Lula, filho do Brasil” e por isso não tenho opinião a respeito. Não gosto de estreias, de ser incorporado às manadas que formam filas quilométricas nos cinemas, para depois sair, como personagens de Woody Allen, a proferir frases cerebrinas, de cujo conteúdo, mesmo espremendo em prensa hidráulica, não sai sequer assombração.

Não sinto, pois, obrigação alguma, de dar palpites – e mais que palpite não conseguiria dar – como têm me cobrado alguns leitores. Eles temem o “uso eleitoral”, como se Lula necessitasse de um filme, seja de Barreto ou de Spielberg para se projetar eleitoralmente, haja vista a sua popularidade recorde.

Há quem defenda a proibição do filme de Barreto, o que interpreto como desejo de apagar Lula da História do Brasil. Por mais que dele se discorde, por mais defeitos que a ele possam ser imputados, não há como fazê-lo, a não ser que se ressuscitem os métodos do ditadura soviética, que conseguia apagar quem bem entendesse das fotografias, muito antes da invenção do Photoshop. Mas não é por isso, pelo risco de correligionários de Lula trazerem para cá regime igual, que esses leitores condenam o filme de Barreto? Ora,ora,ora...


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