Porto Alegre, 06 de setembro de 2010
EDITORIAL
O bom debate
Agradeço e cumprimento o leitor Giordano Spinoza pela civilidade com que externa opinião desfavorável à coluna de sexta-feira (“A Nova Chicago”). É algo incomum. Gostaria que as discordâncias fossem assim conduzidas. Aproveitaríamos todos, leitores, jornalistas, os eleitores, quem participasse do debate.
Diz Giordani Spinoza: “Percebo que o amigo é pródigo. Precisou de uma coluna inteira do O Sul "A Nova Chicago", para declarar-se FHC, PSDB, Serra, a direita brasileira. By the way (= Por falar nisso): o eleitorado alemão de 1930 responsável pelo sofrimento citado pelo amigo no final da coluna, devo lembrar-lhe, era todo de direita.”
Gostei também da ironia sobre o esbanjamento da “coluna inteira” para declarar uma posição política. Ainda que tal contrarie as convicções do leitor, não creio que seja depreciativo alguém admirar Fernando Henrique Cardoso. Mas, em 19 de maio de 2005 (tenho bons arquivos), como comentarista de opinião do Chamada Geral 2ª Edição, da Rádio Gaúcha (5 da tarde), eu afirmei:
“Fernando Henrique Cardoso no terceiro ano de um mandato de cinco, gozava de popularidade suficiente para fazer o Congresso votar todas as reformas necessárias e modernizar o país. Mas não resistiu à tentação de trocar a primogenitura pelo prato de lentilhas da reeleição e aí mostrou o calcanhar de Aquiles: em troca de mais três anos de mandato, renunciou à sua dignidade e entregou o país às feras.”
Houve, então, quem me acusasse de “lulismo”. Quem o fez não prestou a outro trecho do mesmo comentário:
“O governo do sr. Luiz Inácio Lula da Silva é repetição, sem tirar nem pôr, do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. A mesma política econômica, virtude pequena diante das mazelas de corrupção, da barganha de votos pela reeleição, das más companhias de corruptos notórios. Enfim, tudo por tudo, só mudaram o nome do titular e dos seus apaniguados.”
“Any way” (= Seja como for): no dia anterior a “A Nova Chicago”, em “Aos gregos e troianos”, eu defendia Dilma Roussef do besteirol que corre pela Internet, relembrando sua ficha na Polícia Política da ditadura militar. Seria eu, então, um esquerdista, em contraposição a “FHC, PSDB, Serra, a direita brasileira?”
Creio que esclareci em seguida: “Confesso humildemente que nem sei quem é grego ou troiano. O confronto é mera imagem diante do espelho: o que em um é esquerda, no outro é direita. O sim do lado de cá é o não do lado de lá. Corrupção quando praticada por “eles“, para “nós” é mera retribuição pelo desprendimento de zelar para que eles não se “retribuam”, impedindo que “nós” nos corrompamos”.
Para encerrar o assunto trecho do artigo do jornalista e poeta Ferreira Gullar, na Folha de São Paulo de ontem:
“Faz muitos anos já que não pertenço a nenhum partido político, muito embora me preocupe todo o tempo com os problemas do país e, na medida do possível, procure contribuir para o entendimento do que ocorre. Em função disso, formulo opiniões sobre os políticos e os partidos, buscando sempre examinar os fatos com objetividade.”
A propósito: vale a pena ler o Gullar em Vamos errar de novo?” .
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Alegra-me este setembro
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