Porto Alegre, 12 de março de 2010

EDITORIAL

A máscara de Lula
12/03/10 ImprimirImprimir   TopoTopo


Jayme Copstein



Clóvis Rossi exagerou ontem, quando escreveu na Folha de São Paulo que ao “equiparar a motivação (política) dos dissidentes a uma eventual ação similar dos criminosos de São Paulo, Lula está se declarando um ex-delinquente”.

É equívoco. Lula está apenas deixando cair a máscara atarrachada na face, tal com o político norte-americano, Roy Ashburn, que passou 14 anos no Senado da Califórnia opondo-se com veemência a qualquer projeto que acabasse com a discriminação aos gays e, ao ser preso por dirigir embriagado, confessou à Polícia que era gay.

O que Lula fez, ao comparar os dissidentes políticos cubanos aos criminosos comuns, está dentro da melhor tradição do marxismo, a difamação dos opositores. Foi inaugurada pelo próprio Marx que não poupava sequer os amigos, como o fez com Fernando Lassalle, descendente de negros e judeus, a quem considerou primeiramente “o maior dos estudiosos, o mais profundo dos pensadores, o mais brilhantes” enquanto com ele afinou, para injuriá-lo, depois, quando ambos romperam, chamando-o de “barão judeu” e acrescentando:

“Esta combinação de sangue judeu alemão com uma base fundamental de sangue negro, não poderia senão gerar um produto extremamente singular. Aliás, sua autoafirmação é bem coisa de crioulo”. (Citado por Edmundo Wilson, “Rumo à Estação Finlândia”, página 282.)

Marx era oriundo de uma família de judeus, cuja conversão ao catolicismo fora tão recente que ele não teria como esquecer a sua condição judaica e encharcar-se tão rapidamente com o antissemitismo alemão, já intenso no século 19.

Quem desvendou o psiquismo de Marx e antecipou o de seus adeptos, foi um militar prussiano, Techow, ao afastar-se da Liga Comunista: “Se Marx tivesse em si tanto coração quanto intelecto, tanto amor quanto ódio, eu faria qualquer sacrifício por ele (...)”.

O que há certeiro neste diagnóstico pode ser constatado a qualquer momento, em qualquer lugar, como aconteceu agora com Lula, ou há alguns anos, aqui no Rio Grande do Sul, quando um envolvido em grossa falcatrua para carrear dinheiros “não contabilizados” a partidos marxistas, afirmou em entrevista na tevê, que todos os fuzilados no “paredón” eram estupradores. Em outras palavras, quem não apoiasse a ditadura da Família Castro era degenerado.

Lula não está fazendo outra coisa ao equiparar a greve de fome dos dissidentes cubanos, pedindo a devolução do exercício do livre pensar, direito universal do ser humano, com hipotética greve de fome de criminosos comuns, julgados e condenados em processo regulares, que apenas poderiam reivindicar melhoria de condições na cadeia.

Ele os está difamando. Pouco lhe importa a diferença – quem não é por mim é contra mim – e aí está, também, a razão da generosa hospitalidade propiciada ao assassino Cesare Battisti, contrastando com os dois atletas da delegação cubana abjetamente entregues a toda pressa, em território brasileiro, exatamente como os fascistas de Vichy fizeram também com seus dissidentes, além dos judeus, entregando-os à Gestapo.



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DOS QUATRO CANTOS DO MUNDO

A África e o Africom
12/03/10 ImprimirImprimir   TopoTopo


João Santa Rita (*)


O comandante do comando militar americano para África, o Africom, disse que mudar o seu quartel-general para África poderá criar mais problemas do que soluciona-los.

Numa audiência no Senado americano o General Wiliam Ward defendeu a sua decisão de manter o seu quartel-general na Alemanha nos próximos anos afirmando que qualquer mudança iria causar mal entendidos e teria outras consequências negativas.

O general Ward fez face a perguntas de vários senadores que expressaram preocupação com o fato do quartel general do Africom ainda estar situado na Alemanha onde começou a funcionar em Outubro de 2007 e onde se tornou num comando operacional um ano mais tarde. Mas o general disse que disse que o local onde são exercidas as funções de comando não é tão importante como o trabalho que as tropas sob seu comando efetuam em África.

"Se o nosso trabalho é o de aumentar a capacidade das nações africanas, então o que é importante são os nossos programas, as nossas atividades em cerca de 38 países. Esforços para se encontrar um outro local com tudo o que isso implica seriam uma distracção ao verdadeiro trabalho do comando que é feito através dos nossos programas", acrescentou

O General Ward disse que o comando africano está centrado em treinar exércitos africanos e civis dos diversos governos a estabelecer a segurança e estabilidade nos seus países para se impedir criminosos e terroristas de se estabelecerem ali. Além disso, acrescentou programas de treino naval ajudam a combater a pirataria, contrabando e outros crimes marítimos.

Questionado pelo Senador John McCain o general Ward disse que qualquer tentativa de se estabelecer um quartel-general com mais de mil pessoas em África poderia por tudo isso em causa.

"Na minha estimativa qualquer esforço para se estabelecer um quartel-general americano desse tamanho seria mais contra produtivo do que produtivo. Isto devido às percepções, devido a reações de países vizinhos. Haveria muitas consequências não previstas com uma mudança desse tipo", acrescentou.

Quando o Africom foi formado deparou com muita resistência entre países africanos que estavam preocupados sobre a militarização da política americana no continente e com a possibilidade do comando aumentar a possibilidade de intervenções militares americanas no continente.

O general Ward e o seu pessoal tem trabalhado para minimizar essas preocupações e o general disse á comissão do senado que mudar o quartel general para África iria renovar essas preocupações.

Para além de coordenar atividade militar no continente o Africom ajuda também a coordenar alguma ajuda civil americana. O Africom é o único comando militar em que o vice comandante é um civil e que tem também um grande numero de pessoal civil.

(*) Repórter da Voz da América.


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“Segundo relatos que me fizeram na época, a equipe econômica levou ao presidente eleito várias versões do plano de bloqueio dos ativos financeiros no período que antecedeu a posse. Collor sempre pedia medidas mais radicais. "Aumenta o laço, aumenta o laço!", exigia ele. O resultado foi um bloqueio que não isentou nem as cadernetas de poupança nem os depósitos à vista! Só escapou quem ficou com papel-moeda ou comprou moeda estrangeira. Fidel Castro comentou, espantado: "Em Cuba, nunca fizemos nada de parecido". Extraído de artigo publicado pela Folha de São Paulo ”

Paulo Nogueira Batista Jr (*)
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Caderno Dois

Matinas
03/05/10  TopoTopo

Neide Archanjo


Alegra-me este setembro
com rosto de agosto:
céu plúmbeo ventos arados
algumas chuvas crescendo
figos úmidos e brandos e afáveis
mais estes insetos em bonança
gordos gatos.

Deus sorri
e deslocam-se ângulos
presenças
estados de espírito.
Renascem lembranças.

No corpo
o pássaro da pele
emplumado canta.




Mural

Infraestrutura sanitária, a marca do atraso
03/09/10  TopoTopo

Josef Barat (*)


Ampla matéria do Estado (Brasil tem 34,8 milhões de pessoas que vivem sem coleta de esgoto, 21/8, A25) abordou o retrato desolador da infraestrutura sanitária no Brasil, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE. Fica claro que a tão decantada 8.ª economia do mundo não consegue oferecer a grande parte de seus cidadãos a cobertura necessária de serviços de esgotamento sanitário, tratamento e disposição (continua...)