Porto Alegre, 24 de fevereiro de 2010

EDITORIAL

O conto do bolão
24/02/10 ImprimirImprimir   TopoTopo


Jayme Copstein


A primeira reação da Caixa Econômica Federal é a de que nada tem a ver com o “conto do bolão”, sofrido por 40 apostadores de Novo Hamburgo. Ledo engano.

Tem, sim.

Tem e muito a ver com a história, porque a aposta coletiva é oferecida publicamente por quase todas as lotéricas credenciadas pela Caixa, desde os longínquos tempos da falecida Loteria Esportiva, sem que a instituição, em momento algum, alertasse expressamente que o peixe não era seu e que cada um o pescaria por sua conta e risco.

Não é o caso do jogo do bicho, por exemplo, que muitas lotéricas aceitam, mas é sabidamente ilegal. A Caixa não tem como negar sua responsabilidade em um bolão oferecido escancaradamente não pelo “bookmaker” da esquina, mas por agente credenciado – sem dúvida, um preposto – com recibo sofisticado, autenticado por logotipos oficias e impresso em gráfica, como mostrava a ilustração da matéria publicada ontem por Zero Hora.

O volante oficial comporta, caso da Megassena, combinações de até 15 números, mas a Caixa, no verso do volante, calcula o preço de combinações até 10 números, e estimula apostas maiores com a recomendação: “Para jogar mais números, consulte a Casa Lotérica”. Não havendo menção expressa a um máximo de combinações, o credenciamento é tácito para bolões, sem limites, à conveniência e desejo do apostador.

Que a Caixa pague, não bufe e tome as providências para que o caso não se repita. O resto é investigação policial para descobrir quem embolsou o dinheiro das vítimas e deu o prejuízo de 53 milhões. Sofrerá, como todos sabemos, a severa pena de duas cestas básicas, consagrando como dogma deste país tropical, a impunidade ampla, geral e irrestrita, decretada pela coligação do bom-mocismo calhorda com a rabulice de porta de cadeia.

A propósito

A possibilidade de lavagem de dinheiro, proporcionada pelos “bolões”, deveria ser investigada pela Receita Federal. Como o prêmio só pode ser pago ao portador do comprovante emitido pelo terminal de apostas, é dividido entre os participantes do bolão sem que tenham contato com a Caixa. Para eles, tanto faz se quem recebeu a bolada foi o agente lotérico ou terceiro, a quem a aposta premiada foi vendida para esquentar dinheiro de origem obscura. É uma imensa porteira aberta para a fraude, que deve ser cerrada.


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DOS QUATRO CANTOS DO MUNDO

Avião voa 29 horas sem piloto
24/02/10 ImprimirImprimir   TopoTopo


Nahum Sirotsky, de Tel Aviv (*)


Israel apresentou domingo um avião que pode voar 29 horas, controlado à distância, sem piloto. Foi desenhado para observações e levar cargas pesadas a grandes distâncias.
A empresa construtora estatal “Israel Aereo Space Industries” só diz que foram utilizados na guerra de Gaza no ano passado. Mas não faltaram especulações de que, em 29 horas se pode chegar com folga ao Irã.

A apresentação do aparelho não se relaciona com os rumores de que o Irã poderá produzir sua bomba nuclear no ano corrente, destacou-se. A revista alemã, “Der Spiegel”, por exemplo, de acordo com resumo de “Arutz Sheva”, Canal Sete, prevê que esta primeira bomba será primitiva.

O ministro das Ciências do Irã, Kamran Daneshjoo, é a mais alta autoridade da agência nuclear iraniana. A revista estima que a primeira bomba tenha tamanho de um caminhão. Arutz Sheva diz que a previsão é a de que, em dois ou no máximo em quatro anos o Irã terá um bomba do tamanho de um obus, que poderá ser lançada sobre Israel.

No “NewYork Review of Books” de dezembro o físico americano Jeremy Bernstein lembra que o país comprou projeto de bomba do cientista paquistanês A. Q. Khan que fez grandes negócios de seus conhecimentos. E que os iranianos terão Urânio 235 suficiente para duas bombas iniciais este ano. Diz que a suspeita fez com que a ONU construísse no Turqueministão um centro de escuta sensível a choques sísmicos que ocorrem nos testes nucleares subterrâneos.

O general Paetreus, do Comando Central dos Estados Unidos, anuncia que se considera que todas as oportunidades foram concedidas ao Irã para uma solução diplomática das duvidas da Comunidade Internacional sobre os objetivos dos programas nucleares. Prevê para breve as mais pesadas sanções para forçar o Irã a corresponder às decisões do Conselho de Segurança. Dos cinco países com poder de veto - Estados Unidos, Rússia, China, França, Inglaterra - a China é que ainda resiste a aprovar a linha dura proposta.

David Horowitz, conceituado e bem informado colunista do “Jerusalém Post”, diário israelense em inglês de linha conservadora, escreveu há dias que, “o que mais preocupa os órgãos de defesa são mísseis e terrorismo, a vulnerabilidade da frente interna.” Seu foco não é sobre a capacidade militar tradicional, mas, numa escalada em ordem descendente de perigo, a Al Qaeda, o Hamas, o Hizbolah, a Síria e o Irâ.

O Hizbolah, do lado libanês, e o Hamas na Frente de Gaza, são aliados do Irã e teriam dezenas de milhares de mísseis. Ha poucos dias Nazralla dizia pela televisão do Hizbolah, que na hipótese de novo confronto seus mísseis cairiam em Tel Aviv e demais grandes cidades israelenses.
A questão é a frente interna que um míssil cruza de lado a lado num piscar dos olhos.

(*) Nahum Sirotsky é correspondente de Zero Hora no Oriente Médio e colunista do portal “Último Segundo”.


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“O legislador parece o homem que traça sua rota no meio dos mares. Ele também pode dirigir o barco que o transporta, mas não pode mudar sua estrutura, criar os ventos ou impedir que o oceano se ergua a seus pés. (*)[i]Extraído de "De la democratie en Amérique".”

Alexis de Toqueville
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Caderno Dois

Matinas
03/05/10  TopoTopo

Neide Archanjo


Alegra-me este setembro
com rosto de agosto:
céu plúmbeo ventos arados
algumas chuvas crescendo
figos úmidos e brandos e afáveis
mais estes insetos em bonança
gordos gatos.

Deus sorri
e deslocam-se ângulos
presenças
estados de espírito.
Renascem lembranças.

No corpo
o pássaro da pele
emplumado canta.




Mural

Infraestrutura sanitária, a marca do atraso
03/09/10  TopoTopo

Josef Barat (*)


Ampla matéria do Estado (Brasil tem 34,8 milhões de pessoas que vivem sem coleta de esgoto, 21/8, A25) abordou o retrato desolador da infraestrutura sanitária no Brasil, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE. Fica claro que a tão decantada 8.ª economia do mundo não consegue oferecer a grande parte de seus cidadãos a cobertura necessária de serviços de esgotamento sanitário, tratamento e disposição (continua...)