Porto Alegre, 23 de fevereiro de 2010

EDITORIAL

Mossad e Hamas, vida e ficção
23/02/10 ImprimirImprimir   TopoTopo


Jayme Copstein


A vida copia a ficção ou a ficção copia a vida? Ou a ficção se disfarça de vida para esconder as ficções da vida? É complicado este caso de Dubai, aonde Mahmoud al Mabhouh, líder do Hamas, fora praticar seu inocente passatempo de comprar armas e explosivos de traficantes internacionais e acabou assassinado.

A primeira versão veio da gerência do hotel – morte natural. Como todos estamos carecas de saber, em hotéis de cinco estrelas para cima, tudo é muito natural e está sempre sob controle, de furtos, estupros e assassinatos a terremotos e erupções vulcânicas.

As câmeras do sistema de vigilância mostraram desusada movimentação de 11 pessoas em torno de Abud Bud Bud, na portaria do hotel, o que despertou a suspeita de assassinato. A BBC de Londres, em sua guerrinha particular contra Israel, logo obedeceu à palavra de ordem “culpar Israel” e adotou a versão da Polícia de Dubai, de o crime ter sido cometido por agentes do Mossad, já que os assassinos clonaram passaportes de pessoas de várias nacionalidades, mas sete delas residentes em Israel. Ou já não se fazem mais Mossads como antigamente ou é a nova versão da velha anedota do agente secreto português, cujos cartões de visita diziam: “Manoel dos Anzóis, espião”. No caso, “Itzak Khamor, shmock” (Isaac Jumento, babaca).

Foram omitidos da versão dois insignificantes pormenores. Primeiro, um líder como Mahmoud al Mabhouh não se desloca sem forte esquema de segurança, o que explicaria a presença de 11 agentes de sua guarda pessoal registrada pelas câmaras de vigilância. Ou alguém consegue acreditar que ele desembarcou do táxi, sozinho, carregando a mala e foi entrando sem mais, sem menos, no meio de uma manada de turistas? Nem o nosso Lula da Silva faria isso, naquela pousada do litoral paulista onde passa as férias.

O segundo pormenor é o sigilo absoluto em torno da missão de alguém que vai comprar armas clandestinamente de traficantes internacionais. Só quem sabia da movimentação de Mahmoud al Mabhouh era o alto comando do Hamas. Logo, só “alguém de dentro” é que poderia vazar a informação, com o objetivo de eliminá-lo.

Se foi o Mossad quem assassinou ou deixou de assassinar, não pode ficar fora de foco que, quem dedou Mahmoud al Mabhouh, ou com ele disputava poder dentro do Hamas. ou se desentendeu quanto ao dinheiro que flui generosamente do Irã e da Síria para os cofres da organização.


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DOS QUATRO CANTOS DO MUNDO

A nova batalha de Jericó
23/02/10 ImprimirImprimir   TopoTopo


Nahum Sirotsky, de Tel Aviv (*)


Haverá um dia paz no Oriente Médio? Não a paz que sobrevém ao aniquilamento de uma das partes, mas a que resultado do entendimento que satisfaz a todos os interesses?

Esta indagação nada tem a ver com os anseios de que árabes e judeus se reconheçam como povos irmãos que realmente são, nascidos na mesma terra e comungando os mesmos mandamentos religiosos. Nasce do episódio de domingo quando alguns extremistas judeus invadiram a milenar cidade de Jericó, domingo à tarde, e lá hastearam a bandeira de Israel.

Jericó disputa com Damasco a posição de mais antigo centro urbano da historia do Ocidente. Está situada na margem oeste do rio Jordão. Escavações comprovam que já era habitada há 11 mil anos.

Umas teorias dizem que seu nome original deriva de antiga palavra significando Perfumado. Outras que viria de Lua, pois nela teria havia seitas que adoravam o satélite da Terra.

A história de Jerico inclui incontáveis conquistadores. Um deles, Marco Antonio, a presenteou à sua amada, Cleópatra. No Velho Testamento, no livro de Josué ,5.13-6:27, relata-se que as tribos israelitas a ela chegaram, atravessando o rio Jordão, depois de 40 anos no deserto, após saírem do Egito.

Foi descrita, então, como fortificada por muralhas. Os israelitas giraram sete vezes ao seu redor e ao som de trombetas sopradas pelos sacerdotes, as muralhas foram caindo uma a uma pela força divina. A cidade foi invadida e totalmente destruída, com Josué no comando.

Foi assim que, há milhares de anos, os judeus entraram em Canaã, a Terra Prometida. Mas, de conquistador em conquistador, Jericó ficou sob o domínio do Império Otomano por 500 anos. No fim da I Guerra Mundial passou ao domínio britânico, do qual passou aos jordanianos em 1948.

Conquistada por Israel na guerra de 1967, em 1994, ao surgir a esperança de uma paz definitiva, com os acordos de Oslo, Noruega, Jericó foi a primeira cidade entregue á então criada Autoridade Palestina, como primeiro passo para o estabelecimento do Estado Palestino independente, o que não aconteceu até hoje.

Em Jericó, dos tempos histórico restou uma sinagoga que, no domingo, o pequeno grupo de judeus fundamentalistas reconquistou simbolicamente. Nela disseram preces pelo dia da morte do profeta Moisés, gesto que mais uma vez demonstrou como é problemático trilhar o caminho do entendimento....

Era certo que os invasores seriam todos expulsos até o amanhecer de segunda-feira. A cidade pertence à área da Autoridade Palestina. Nela vivem muitos dirigentes do Fatah, inclusive Saeb Erekat, professor de ciências políticas e ministro encarregado de negociar com Israel a solução do conflito.

Há mais de ano as conversações estão congeladas e não há sinais de que possam ser retomadas brevemente, a despeito de todos os esforços empenhados pelos Estados Unidos.

(*) Nahum Sirotsky é correspondente de Zero Hora no Oriente Médio e colunista do portal “Último Segundo”.


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“Seria A vida frágil? Uma aluna me respondeu esta pergunta assim: "A vida burguesa é frágil". Esse é um erro de quem pensa que a miséria humana foi inventada pelo capitalismo. Culpa de professores, sociólogos e filósofos. O capitalismo é apenas uma face da fragilidade. Mas pensar que a vida seja frágil apenas quando é burguesa é também uma forma, ainda que chique, de se enganar. (...) O sentido da vida se arranca das pedras e não dos céus ou das teorias. Os lábios dos que buscam sentido estão secos como os de quem vaga por um deserto. Quer um exemplo de pessoa simples? Qualquer um que se defina diante da vida como "conservador" ou "progressista" (estereótipos). Aliás, quem se define assim, me parece, o faz por marketing pessoal, ignorância ou simples má fé. Normalmente o "progressista" se vende melhor entre pessoas "chiquinhas-cultas" e solitárias, mas o "conservador" se vende bem em igrejas, associações de raivosos e afins. (*) [i]Em “A vida light”, Folha de São Paulo, ontem.[/i] ”

Luiz Felipe Pondé (*)
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Caderno Dois

Matinas
03/05/10  TopoTopo

Neide Archanjo


Alegra-me este setembro
com rosto de agosto:
céu plúmbeo ventos arados
algumas chuvas crescendo
figos úmidos e brandos e afáveis
mais estes insetos em bonança
gordos gatos.

Deus sorri
e deslocam-se ângulos
presenças
estados de espírito.
Renascem lembranças.

No corpo
o pássaro da pele
emplumado canta.




Mural

Infraestrutura sanitária, a marca do atraso
03/09/10  TopoTopo

Josef Barat (*)


Ampla matéria do Estado (Brasil tem 34,8 milhões de pessoas que vivem sem coleta de esgoto, 21/8, A25) abordou o retrato desolador da infraestrutura sanitária no Brasil, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE. Fica claro que a tão decantada 8.ª economia do mundo não consegue oferecer a grande parte de seus cidadãos a cobertura necessária de serviços de esgotamento sanitário, tratamento e disposição (continua...)